In The Money #37
#37: A Mother's Day Lesson e Visão das Assets
Escrevo semanalmente sobre o que está acontecendo no mundo dos investimentos e wealth management no Brasil. Durante o dia, atuo como Especialista Íon Private. À noite, sigo estudando para o CFA Exam Level III, psicologia financeira e aplicações de AI voltadas à assessoria de investimentos. Aos fins de semana, escrevo o In The Money.
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Ah, claro… é sempre bom lembrar:
As opiniões aqui expressas são exclusivamente minhas e não representam as de pessoas, instituições ou organizações com as quais eu possa ou não estar associado, a qualquer título, salvo quando expressamente indicado.
1. A Mother's Day Lesson
Hoje é dia das mães. Parabéns a todas!
Tem uma coisa sobre como mães pensam sobre dinheiro que o mercado financeiro demorou décadas pra formalizar. E eu quero trazer brevemente para a edição de hoje.
Para uma mãe, dinheiro sempre teve endereço. Todo real sempre esteve conectado a um objetivo, a uma pessoa e a um prazo. Dinheiro sem propósito nunca fez sentido!
Seja para a educação dos filhos, proteção, viagens em família, independência própria…
O mercado chamou isso de Goals Based Planning. Inventou framework, publicou papers e deu um nome bonitinho. Mas convenhamos, a lógica sempre esteve lá!
Margaret Franklin, CEO do CFA Institute, resumiu bem no artigo Women Investors: Redefining the Advisory Relationship. Mulheres querem entender como as coisas funcionam em um nível profundo, além da rentabilidade…
A forma como operam está mais em linha com as abordagens de Total Portfolio e Balanced Scorecard, e isso vai desafiar assessores que ainda lideram a conversa só por rentabilidade passada.
Total Portfolio Approach é uma abordagem de gestão que avalia risco e retorno do portfolio como um todo, em vez de tratar cada classe de ativo isoladamente. Decisões de alocação são orientadas pelos objetivos do investidor, e cada posição é avaliada pela sua contribuição ao resultado integrado.
Balanced Scorecard é um framework criado por Kaplan e Norton (Harvard Business Review, 1992) que mede o desempenho em múltiplas dimensões simultaneamente, indo além das métricas financeiras padrão.
Mulheres devem controlar algo em torno de US$ 34 trilhões em ativos financeiros nos EUA até 2030. E à medida que esse patrimônio cresce, uma coisa fica cada vez mais clara… essas investidoras estão pedindo profundidade no atendimento. Conexão entre o portfolio e a vida real. Entender como as peças se encaixam, não só quanto rendeu.
O mercado demorou para perceber que essa forma de pensar é a mais completa. Sempre foi.
E se você parar pra pensar, provavelmente foi da sua mãe que você aprendeu isso primeiro. Antes de qualquer curso ou de qualquer certificação...
Feliz dia das mães!
2. Reading The Hedge Funds
Olha o carteiro chegando…
Teve um início de mês corrido e não deu tempo de se atualizar sobre os posicionamentos das principais gestoras do mercado?
Sem problemas… Vou facilitar a sua vida e compartilhar aqui abaixo de forma bem direta e reta.
Se você sentir falta de alguma gestora aqui abaixo, escreva nos comentários para que eu adicione nas próximas edições.
As posições aqui abaixo refletem as informações contidas nas cartas dos gestores referente ao fechamento de abril.
Kinea
📉 Juros: Aplicada em Brasil (queda da Selic) | Aplicada na Suécia | Aplicada na Nova Zelândia | Tomada no Chile
📊 Bolsa: Comprada em tecnologia/IA nos EUA (semicondutores, cloud, eletrificação — via opções na Nasdaq) | Comprada em Brasil via opções em índices + posições específicas em elétricas, saneamento, aeroespacial e distribuição de combustíveis | Comprada em emergentes (EWZ, yield, construção civil) | Vendida em índices de mercados desenvolvidos
💱 Moedas: Comprada em Real | Comprada em Yuan (China) | Comprada em Won (Coreia do Sul) | Vendida em moedas europeias (Euro e Libra) | Vendida em Peso mexicano
🛢️ Commodities: Comprada em Petróleo (futuros e opções) | Comprada em Milho | Comprada em Açúcar | Comprada em Cobre | Comprada em Alumínio | Vendida em Café
⚠️ Nota: Commodities operam primariamente como hedge do portfólio contra pressão inflacionária e risco geopolítico. Real comprado vs. moedas europeias; Peso mexicano como proteção da posição comprada em BRL.
Kapitalo K10
📉 Juros: Aplicada em Brasil | Aplicada na Suécia | Aplicada no México | Aplicada no Canadá
📊 Bolsa: Comprada em tecnologia nos EUA | Comprada na Argentina | Comprada no Brasil (adicionada no mês) | Vendida em small caps EUA
💱 Moedas: Comprada em Peso chileno (vs. USD) | Comprada em Rand sul-africano (vs. USD — adicionada no mês) | Vendida em Baht tailandês (vs. USD) | Vendida em Euro (vs. USD — adicionada no mês)
🛢️ Commodities: Comprada em Petróleo | Comprada em Diesel | Comprada em Ouro | Comprada em Alumínio | Comprada em Cobre (adicionada no mês) | Comprada em Óleo de soja (adicionada no mês) | Vendida em Café | Vendida em Trigo | Vendida em Zinco
⚠️ Nota: Livros de juros, bolsa e commodities contribuíram positivamente, após o pior mês de performance do K10. BC do Brasil cortou Selic em 0,25 p.p. e sinalizou espaço adicional para cortes, com ritmo condicionado à evolução do cenário de Ormuz.
Ibiuna
📉 Juros: Aplicada em juros nominais Brasil (posição pequena) | Valor relativo nas curvas reais e implícitas Brasil | Aplicada em emergentes selecionados no exterior
📊 Bolsa: Comprada em Brasil | Long-short não direcional (sem viés direcional explicitado)
💱 Moedas: Comprada em Yuan (China) | Comprada em Forint (Hungria) | Vendida em Dólar via opções táticas
🛢️ Commodities: Comprada em Petróleo (pequena exposição) | Comprada em Ouro (pequena exposição)
⚠️ Nota: Crédito local com postura defensiva reduzida ao longo do mês, após correção relevante de spreads em corporativos brasileiros. Principal driver positivo do mês foi o livro de moedas (vendido em dólar vs. emergentes); juros G-10 foi o principal detrator.
Ace
📉 Juros: Aplicada em Brasil (posição reduzida ao longo do mês) | Aplicada em Brasil vs. tomada em outras geografias (via valor relativo) | Tomada em juros internacionais
📊 Bolsa: Comprada em bolsas americanas (posição aumentada) | Comprada em emergentes asiáticos (posição aumentada) | Comprada em Brasil via valor relativo em bancos, energia elétrica, saneamento e commodities (baixa exposição direcional)
💱 Moedas: Comprada em emergentes | Cesta comprada em moedas com juros elevados e termos de troca positivos (financiada em moedas importadoras de energia) | Vendida em desenvolvidos (baixa exposição direcional ao dólar)
🛢️ Commodities: Hedge em commodities (junto a dólar e juros, como proteção do portfólio)
⚠️ Nota: A Ace avalia que o cenário eleitoral aponta para troca de governo em outubro e vê isso como vetor positivo relevante para ativos locais assim que o conflito encontrar desfecho.
Bahia AM
📉 Juros: Aplicada em juros nominais Brasil | Aplicada em juros reais Brasil | Posições relativas na curva de juros reais Brasil | Vendida em inflação Brasil
📊 Bolsa: Comprada em Ibovespa | Posições relativas em ações Brasil
💱 Moedas: Comprada em Dólar australiano (vs. Euro)
🛢️ Commodities: Comprada em Ouro
⚠️ Nota: Principais ganhos do mês: relativas na curva de juros reais, comprado em inflação curta e comprado no real vs. cesta de moedas. Principais perdas: aplicado em juros nominais (BR e emergentes), comprado em ouro e comprado em Ibovespa.
Genoa
📉 Juros: Aplicada em juros locais (contribuição positiva) | Aplicada em juros globais (contribuição positiva, menor magnitude)
📊 Bolsa: Posições em ações macro e micro (ambas positivas no mês)
💱 Moedas: Posições em câmbio local (contribuição positiva) | Posições em moedas globais (contribuição positiva, menor magnitude)
🛢️ Commodities: Não mencionado
⚠️ Nota: Carta do mês detalha apenas atribuição por livro, sem especificar instrumento ou direção das posições em bolsa e moedas.
The Positioning Board
Se você não conferiu a última edição do In The Money #36, não deixe de clicar no link abaixo.
Nos vemos no próximo domingo!







