In The Money #19
#19: O que aprendemos com 2025?
Escrevo semanalmente sobre o que está acontecendo no mundo dos investimentos e wealth management no Brasil. Durante o dia, atuo como Especialista Íon Private. À noite, sigo estudando para o CFA Exam Level III, psicologia financeira e aplicações de AI voltadas à assessoria de investimentos. Aos fins de semana, escrevo o In The Money.
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Ah, claro… é sempre bom lembrar:
As opiniões aqui expressas são exclusivamente minhas e não representam as de pessoas, instituições ou organizações com as quais eu possa ou não estar associado, a qualquer título, salvo quando expressamente indicado.
Quick View on 2025
Fim de ano chegando e já podemos tirar algumas conclusões sobre as melhores performances de 2025. Vamos listar os principais benchmarks aqui abaixo para refletir um pouco sobre o que podemos aprender com eles.
IMA-S: +14.15%
IMA-B: +11.82%
IRF-M: +17.08%
IHFA: +14.37%
IFIX: +19.82%
Dólar: -10.79%
Ouro: +72.20%
Bitcoin: -10.81%
Ibovespa: +33.76%
S&P 500 (sem variação cambial): +18.68%
Sentiu falta de alguma classe? Comente aqui para incluirmos nas próximas análises. 👇
Olhando para o passado, 2025 teve claramente um vencedor: o IBOV. Mesmo de forma silenciosa, a bolsa brasileira conseguiu entregar um retorno acima dos 30%!
Mas aqui que mora algumas pegadinhas (e que eu já venho falando há algum tempo). Esse retorno é apenas para quem estava posicionado desde o início do ano!
Vale lembrar que o investidor de longo prazo estava vindo de uma performance negativa de aproximadamente -10% em 2024. Então, necessariamente quem pegou a rentabilidade integral de 2025 estava vindo de um ano ruim em questão de retorno.
Por isso, sempre que possível se questione:
Será que eu estaria posicionado nesse investimento dado o contexto da época?
Será que, caso eu já estivesse posicionado no ativo, eu iria jogar a toalha e migraria para o CDI?
Acredite, muitos investidores desistiram da bolsa em jan/25 quando foram analisar a performance dos últimos 12 meses. O que restou foi o amargo gosto do arrependimento.
Estamos presenciando o encontro da teoria com a realidade. Clientes e investidores que “desrespeitaram o seu perfil de investidor” e deixaram a sua ansiedade e frustração ditarem as tomadas de decisão, deixaram na mesa um retorno acima de 20% de rentabilidade (diferença entre o IBOV e o CDI em 2025).
Inclusive, vou até um pouco mais longe nesse ponto… Clientes que tentaram operar o mercado realizando trades de curto prazo provavelmente tiveram um retorno menor do que os que simplesmente seguraram suas posições.
Para provar o meu ponto, tomei a liberdade de fazer um exercício bem simples: peguei os 5 melhores dias da bolsa brasileira em 2025 e os removi da rentabilidade acumulada.
Foram eles:
15.01: +2.81% | Divulgação de dados de inflação mais fracos nos EUA
30.01: +2.82% | Decisão da Super Quarta
14.02: +2.70% | Divulgação de pesquisa pelo Datafolha com piora da popularidade do Lula
14.03: +2.64% | Avanço nas commodities
09.04: +3.12% | Recuo nas questões tarifárias impostas pelo Trump
Olha só que interessante, estamos falando de apenas 5 dias em quase 252 dias úteis do ano, o que representa menos de 2% do período!
Se excluirmos esses 2% da amostra, a rentabilidade acumulada da bolsa em 2025 cai pela metade!
Não é mais fácil deixar o investimento andar sozinho do que ficar tentando adivinhar os vales e picos? 🤔
Outro ponto que podemos trazer para a conversa é a falácia de concentrar toda a carteira em pós fixado em cenários de CDI alto. Como vimos lá no início, o IMA-S não ficou nem no Top3 de 2025!
Quando for realizar a revisão de carteira do seu cliente que preferiu “aproveitar o CDI alto” em 2025, não deixe de trazer essa reflexão para a conversa. Digo isso pois a história não se repete, mas rima.
Esse ano o hiperfoco foi no CDI, ano que vem será em outro e assim sucessivamente…
A concentração, por mais convidativa que seja, nunca é o melhor caminho!
Pode ter certeza que muitos irão desdenhar (de forma equivocada) do dólar e bitcoin só porque foram os que ficaram no Z4 (dessa vez). Assim como irão colocar um peso maior do que deveria nos Top3. É sua função, como assessor/especialista, desconstruir essa crença baseada em vieses comportamentais da cabeça do seu cliente.
Vamos falar agora do que NÃO podemos concluir apensa olhando os resultados de 2025:
O ouro NÃO deve ser a sua maior alocação em termos percentuais;
Você NÃO deve retornar para a bolsa se vendeu no final de 2024;
Posições dolarizadas NÃO devem ser descartadas;
Se você não conferiu a última edição do In The Money #18, não deixe de clicar no link abaixo.
Nos vemos no próximo domingo!





