In The Money #25
#25: CEO Conference 2026
Escrevo semanalmente sobre o que está acontecendo no mundo dos investimentos e wealth management no Brasil. Durante o dia, atuo como Especialista Íon Private. À noite, sigo estudando para o CFA Exam Level III, psicologia financeira e aplicações de AI voltadas à assessoria de investimentos. Aos fins de semana, escrevo o In The Money.
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Ah, claro… é sempre bom lembrar:
As opiniões aqui expressas são exclusivamente minhas e não representam as de pessoas, instituições ou organizações com as quais eu possa ou não estar associado, a qualquer título, salvo quando expressamente indicado.
CEO Conference 2026
Uma boa maneira de medir o termômetro do mercado é acompanhar os eventos chaves patrocinados pelos principais players da indústria. Um desses eventos-chave é o CEO Conference 2026, realizado pelo BTG Pactual.
Aqui, eles reúnem políticos, CEOs, gestores e analistas para conversar sobre os principais temas da atualidade. Foram 2 dias inteiros de painéis, mas eu separei os que mais podem ter impacto direto na sua rotina como profissional de aconselhamento financeiro.
Então vamos lá!
Perspectivas da Macroeconomia Brasileira
Participantes: Eduardo Loyo (BTG Pactual), Mansueto Almeida (BTG Pactual), Tiago Berriel (BTG Pactual), Samuel Pessôa (BTG Pactual)
Mediadora: Stefanie Birman (BTG Pactual)
A conversa começou olhando para fora… Dólar mais fraco, Fed pressionado entre inflação ainda acima da meta e desejo político por juros menores, além do entusiasmo com inteligência artificial e seus possíveis efeitos sobre produtividade. O impacto estrutural pode ser bem relevante, porém não parece suficiente no curto prazo para alterar de forma decisiva a condução da política monetária americana.
Quando o debate chegou ao Brasil, o tom mudou. O foco passou a ser a sustentabilidade fiscal.
O crescimento recente foi forte, mas veio acompanhado de expansão relevante de gasto, juros reais elevados e aumento da dívida. A conclusão foi direta: sem controle do crescimento da despesa, não há espaço consistente para queda estrutural de juros nem para estabilização da dívida pública.
Dólar e EUA: Vetores econômicos podem voltar a favorecer um dólar mais forte, enquanto risco institucional e geopolítico seguem influenciando fluxos globais.
IA e produtividade: Ganhos existem, mas com defasagem histórica e impacto limitado no curto prazo sobre inflação e política monetária.
Brasil e fiscal: Déficit nominal elevado e juros reais altos tornam a trajetória da dívida insustentável no médio prazo. O ajuste futuro precisará vir pelo lado da despesa.
Outlook de Grandes Gestores
Participantes: André Jakurski (JGP), Luís Stuhlberger (Verde Asset), Rogério Xavier (SPX Capital)
Mediador: André Esteves (BTG Pactual)
O painel mais esperado do evento começou discutindo a realocação estrutural de capital para fora dos Estados Unidos. Aliás… todos aqui estão acompanhando o aumento percentual dos EM nos portfólios globais, né?
Jakurski destacou mudanças geopolíticas relevantes envolvendo China, Taiwan, Europa e o novo posicionamento dos Estados Unidos. Porém, um ponto que precisamos destacar é a fala dele em relação ao crescimento da dívida americana e possíveis alterações na relação entre Tesouro e Fed.
Esse embate do Trump com o Powell não é novidade para ninguém…
Mas em maio isso vai acabar, pois o novo presidente do FED, Kevin Warsh, indicado pelo Trump irá assumir o cargo.
Voltando ao painel, Stuhlberger ressaltou que o movimento observado até agora parece estar mais ligado a novos fluxos do que a saídas relevantes do estoque já investido nos Estados Unidos. E aqui vale fazer um adendo: em toda essa narrativa de dólar mais fraco, em dezembro houve, na verdade, um crescimento de 5% no uso do dólar no comércio internacional. Você sabia disso? 👀🤔
Xavier apresentou uma visão mais construtiva, afirmando que vê inflação em queda, enfraquecimento do mercado de trabalho americano e continuidade do ciclo de cortes de juros pelo Fed.
“Você está com crescimento bastante razoável nos Estados Unidos. A taxa de desemprego subindo e com a inflação caindo. Ela não está na meta, mas está caindo. E eu acredito que esse movimento vai continuar…”
André Esteves, que estava mediando o painel, também trouxe alguns pontos para a conversa. Sobre Brasil, ele destacou que o mercado não costuma precificar múltiplas variáveis ao mesmo tempo, mas sim a dominante do momento. Hoje, essa variável é fluxo!
Com entrada relevante de capital estrangeiro e diferencial de juros elevado, os preços sobem independentemente das incertezas eleitorais ou da discussão fiscal. Por isso que esse bull market está sendo tão silencioso. Os movimentos de alta podem não conversar com os riscos que enxergamos aqui internamente.
Ao mesmo tempo, ele afastou a ideia de ruptura abrupta. Disse que quando a deterioração brasileira ocorre, ela é lenta e contínua. Sem um “cliff effect”!
No curto prazo, portanto, o fluxo segue ditando o ritmo.
Cenário Econômico 2026
Participante: Gabriel Galípolo (Banco Central)
Mediador: Roberto Salute
Aqui a conversa foi direta ao ponto. Galípolo explicou por que o Banco Central preferiu ficar mais dependente dos dados antes de iniciar a “calibragem” do ciclo a partir de março, num ambiente com múltiplas fontes de incerteza.
O atual presidente do BC fez questão de frisar que seguirá com a mesma postura e função de reação independente do cenário político.
Um trecho que acho importante compartilhar com vocês é em relação ao desemprego. O Galípolo reconheceu que o mercado de trabalho está bem apertado, historicamente baixo, enquanto o crescimento de salários se encontra acima da produtividade. Se formos voltar aos livros de teoria, sabemos que são forças que pressionam o lado da demanda.
Oportunidades e Estratégias: Investindo em 2026
Participantes: André Lion (Ibiúna), Leonardo Linhares (SPX), William Dominice (BTG Asset)
Mediador: Roberto Salute (BTG)
Esse painel partiu do cenário global, onde os holofotes estão apontando para os emergentes e rapidamente avançou para a pergunta central: como se posicionar em 2026, dado:
Fluxo estrangeiro dominante;
Fiscal brasileiro ainda sensível;
Eleições no curto prazo;
Inteligência artificial;
Dólar fraco e geopolítica.
A conversa seguiu para a visão de cada participante e as respectivas alocações para 2026, que por sinal tiveram divergências.
André Lion (Ibiuna)
Prefere grandes empresas, líquidas, com capacidade de entrar e sair rápido.
Busca empresas com resiliência à atividade econômica.
Evita ficar “engessado” em ativos ilíquidos.
⚠️ Riscos: Risco geopolítico global e fragmentação em blocos, com impactos potenciais sobre energia, moedas e alocação de capital.
Leonardo Linhares (SPX)
Disse que o movimento nos nomes mais líquidos já andou bastante.
Está buscando oportunidades fora do núcleo mais óbvio do índice.
Comentou que vê menos assimetria nas grandes commodities após o fechamento de desconto.
⚠️ Riscos: Inteligência artificial como possível risco de cauda, especialmente pela incerteza sobre retorno do CAPEX e ganhadores versus perdedores.
William Dominice (BTG)
Destacou oportunidade no “segundo layer” da bolsa.
Falou explicitamente em maior seletividade.
Enxerga oportunidades em empresas sensíveis à queda de juros.
Comentou exposição relevante a semicondutores no exterior.
⚠️ Riscos: Mudança na tendência de desvalorização do dólar, que poderia alterar completamente o jogo para emergentes.
Se você não conferiu a última edição do In The Money #24, não deixe de clicar no link abaixo.
Nos vemos no próximo domingo!





